Compulsão
Existem desejos que não se pedem; tomam-se. Este poema não fala do amor que constrói, mas daquele que consome, que arrasta para o fundo como uma pedra preciosa atada ao tornozelo. É a voz da substância, da carne e da vontade oprimida que, finalmente, encontra a sua liberdade na total submissão. Quando a agulha do êxtase toca a pele, o tempo colapsa no 'nulo segundo'. Respire fundo. O que se segue é uma confissão de fome
Dominus
Nesta obra, Alexandre Montenegro subverte a oração tradicional. O altar não é de pedra, mas de 'cetim vermelho' e 'cabedal'; a hóstia não é pão, mas o sabor a 'canela' e 'cera queimada'. O poeta coloca-se na posição de máxima vulnerabilidade — amordaçado e vendado — para descobrir que a liberdade suprema reside, paradoxalmente, na entrega total ao controlo do outro. O 'holocausto luxurioso' aqui descrito não é fim, mas transcendência.