Comunhão
O amor, na sua forma mais pura, é canibalismo. Em 'Comunhão', Alexandre Montenegro convida-nos para uma ceia profana à 'meia luz', onde os amantes não se unem, mas se consomem. Através da figura do Ouroboros — a serpente que devora a própria cauda — o poeta descreve um 'êxtase eterno' onde ser comido é a derradeira forma de pertença. Neste 'bafienta poltrona vermelha-sangue-túmulo', o sagrado é extirpado para dar lugar a uma 'fome por carne' que transcende a morte.