Em Carne Viva
Em "Em Carne Viva", Alexandre Montenegro abandona a ternura do prelúdio. Aqui, o corpo é uma tela para ser marcada. É um texto sobre o "egoísmo hedonista", onde o clímax é arrancado através da exaustão e da "deliciosa devassidão". Ajoelhe-se perante o "dragão que desenha as costas"
Missa Libidinosus
A Liturgia:
Neste "credo" sombrio, o Vitoriano despe a culpa para vestir o desejo. A "Missa Libidinosus" não é uma prece aos céus, mas uma descida aos infernos do prazer, onde a penetração é a "lança que sublima" e a salvação reside na perdição da carne. Uma ode ao "templo de Sade" erguido sobre os escombros da moralidade.
Lucille Imperia Califórnia
Existem nomes que, quando pronunciados, fazem as sombras recuar. Lucille Imperia California é um desses nomes. Ela não entra num quarto; ela invade a realidade. Nesta narrativa, a cadeira elétrica deixa de ser um instrumento de morte para se tornar um trono de espera, onde o condenado aguarda não o fim, mas o 'consumo pornográfico' pela sua carrasca de pele mármore. O que se segue é o assassinato do Paraíso e a canonização do prazer em stiletto agudo
Venus Aversa
Existem fomes que a luz do dia não compreende. Neste poema, Alexandre Montenegro arrasta-nos para a 'negrura da nossa complicação', um espaço liminar onde a devoção se manifesta através do consumo. Aqui, o ato sexual despe-se de romantismo banal para vestir a pele do lobo: é urgente, é sujo, é sagrado. O leitor é convidado a testemunhar o momento exato em que a presa se torna o altar, e o predador, o sacerdote ajoelhado.
Bulb
Há momentos em que o desejo deixa de ser um mero capricho biológico para se tornar um ritual de aniquilação. Neste poema, descemos tateando pelas paredes húmidas de um castelo interior, onde o medo e o prazer — o tremor e o rubor — são indissociáveis. Aqui, o ato de amar é um ato de canibalismo sagrado: consumimos para não sermos consumidos, ou talvez, para nos rendermos finalmente à chama que nos devora. Preparem-se para tocar no proibido.