Epitáfio
Alexandre Montenegro e Filomena d'Avila Alexandre Montenegro e Filomena d'Avila

Epitáfio

Escrito por Alexandre Montenegro e Filomena d’Ávila

Há silêncios que não são ausência de som, mas presença de peso. Estruturas geológicas de traumas herdados e "capítulos de livros" alheios que nos calcificam a alma. O texto que se segue não é um grito de socorro; é o registo fúnebre do que apodrece, com uma estranha tranquilidade, dentro das paredes da nossa própria indiferença.

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Cara de plástico
Alexandre Montenegro Alexandre Montenegro

Cara de plástico

Escrito por Alexandre Montenegro e Filomena d’Ávila

Muitas vezes, a alma atormentada encontra-se numa encruzilhada silenciosa: o momento exato após o excesso, onde reside a ressaca emocional e a claridade dolorosa da indiferença. Este poema mergulha nas entranhas da melancolia existencial, explorando a assimetria cruel das relações humanas, onde um lado sempre sente, sofre e sangra mais do que o outro.

Ao invocar a figura trágica de Prometeu e as suas promessas logradas, os versos abaixo dissecam o medo profundo da mediocridade — o pavor de se tornar apenas mais um caminhante vulgar no trajeto inevitável entre o berço e a cova. É uma reflexão lúgubre sobre máscaras que se despedaçam e a busca por um sentido num abismo de sussurros. Para o leitor que procura refúgio na literatura gótica e na expressão da dor crua, este texto é um espelho da própria solidão

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