Aranha

woman with bondage belt shadow photography b&w

Sombras translúcidas oferecem-me fetiche

de leitosa pele… porto da minha vontade


Feromonas incandescentes proferem-se de ti…

tornas-me febril testemunha do teu rítmico contrair de coxas…

no segregar de mel a consumir pelo sôfrego abocanhar…

em prece, em declamação de intenção.



Necessidade silenciada entre lábios que me movem a ti…

à tua húmida pétala…meu templo eterno

de prece sussurrada

por língua molhada

no sonho do teu sabor


Suspende, meu amor,

no lamber frio de metal anelado,

pudor e medo…

rende-te em pulso, tornozelo e garganta

ao manietar de carnívoro enredo


Despida de toda a vulgaridade…

odor a divindade, vem-me de altar em frente a mim…

para onde ergo-me em vontade penetrante…

não sei antes me enfeitiçar no tornear de página de ti-livro. 


O teu peito, bouquet de delícias terrenas,

impele-me em perfume-febre, que se quer temperado por língua que circunda, 

contorna, 

em prelúdio de mordida lenta, 

que te impera a contorção por mais,

perante ligação tão pouca, 

definhada por concepções de carícias frias em carne quente…

passos fugidios a clímax por manifestar.


Paralisada, êxtase de fachismo sobre ti

que não te mexas ou deixo-te assim, 

intocada, 

a querer mais, a latejar do teu interior…

a auto-satisfação não te preenche…

Há algo avassalador no exercer por outro, com vontades desconhecidas,

sobre recantos de fantasias íntimas que desconhecemos ter.


Igualo-me a ti, em carne exposta, exalando vontade pela tua…

consegues ver, perceber o que te pretendo…


ainda não…

melhor que a pacificação…

apenas o tremer incontrolável da paixão…

do desejo por ser consumido…


oh o frenesim contido no meu corpo que se cresce para o teu…


Suspensa sob meu controlo, etérea nas correntes que te manietam, tornozelos e pulsos,

peito para mim, apenas para mim, 

vejo-te…semi-cerrada no olhar…


aproximo-me…


sentimo-nos sem nos entrarmos…

mel e fel, quente no tocar do ventre….

apenas um pouco…que assim já nos tolhe o peito em eletricidade convulsa…

oh, a urgência de me ter dentro de ti…

prelúdio do que seria…

oh, o que será…


Lampejo-te os lábios com os meus, ofereço-te língua em saborear-contorno de boca, 

que abro e inundo em línguado trancado…pelo meu pressionar-ventre em ti…


ainda não…


Expiro, quente, ponta do teu peito na minha carne…

peito-destino, cheirando-te a pele no caminho até ao sorver, sôfrego…


Gemes pelo corpo, sentindo-te arrepanhada pela minha boca que te beija o esquerdo…o direito…


luxuria move-me as mãos que os junta no vácuo de boca feita para te devorar.


Vácuo obsceno, anca para a frente…pressão em baixo ventre…


fantasia solta…


Percorro-te, movido a saliva e loucura…

o prelúdio cede à fome…

quando te chego e me ancoro em sabor, no teu clitóris…

e no fetiche de te exerceres nos meus lábios…


Anca que gira, pressão-dança na minha boca fluidificada pelo teu desejo ao seres consumida…

…provo-te mais…toda tu em mim…completa depravação…

plena satisfação de com a minha língua em ti entrar…

e nela sentir o teu doce orgasmar…


…sussurras-me para que entre em ti…


Aproximo-me…sinto-te no calor que dela emana para mim, faz-me latejar por ti…


tocamo-nos sem mãos…


Lento…sinto o teu interior no deslizar-cetim…enquanto me recebes em ti…

quase me fazes atingir o clímax…és divino prazer em corpo a profanar…


baloiço-te, em anca desvairada…

rodeio-te no teu íntimo, sentindo-te colada a mim…

tão doce…tão quente…

se fores o meu inferno, chamarei cada demônio para que me condene à tua eternidade…


esfregamo-nos em abraço que sacia cada poro da tua pele na minha,

em dança caminhante por prazer que nos abeira da libertação 


aceitação 


evasão 



salivo por estar profundo, no teu interior…

asfixiante este constante deslizar em que nos sentimos…

no beijo em te penetrar…


lento…


circular…


quero sentir o pulsar do teu ventre em torno do meu…


contração…movo-me durante o teu clímax…propagação infinita em ondas que nos fusionam um no outro…


rasgas-me as costas em arranhar-loucura…em procura por onde te firmares…


vais-te num mundo elétrico…de doçura em êxtase…


urgência por direção…queres parar…

matar-me-as ao não continuar….

no caminho para o descontrolo, minha aranha-mulher, ancorada ao meu torso, no qual me espremes para dentro de ti…


Sofrega….cardíaca na manifestação de prazeres terrenos…asfixiante, urgência de mais…mais de mim em ti, mais de ti em meu redor neste mundo paralelo onde somos puro impulso animal…e a frenética satisfação da nossa condição carnal…



“quero-nos provar…” - suspiras em delírio…


saio de ti… gemer de último estímulo…, circundo-te na tua prisão suspensa…de metal e cetim…espera-me a tua boca, que desejo tão suave como a vulva onde me dissolvi…em ti…


olho-te, fora de mim, e peço-te - “ saboreia-nos…”


apertas-mo nos teus lábios…


ancoras-me nos teus olhos…à medida que me saboreias….e aos teus resquícios em mim…


somos um em êxtase…nesta dimensão só nossa…


demasiado…o teu olhar enquanto me devoras e me recebes na tua boca…


demasiado para suportar…


liberto-me em ti…e no abraço da tua língua, seguras-me no tremer, nas contrações de tudo o que tenho em mim…


Devoção…sorver até ao fim…cada parte do meu eu…e para sempre assim…perdidos um no outro, em toques de cetim…


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