Entasis
Há um silêncio que se encontra apenas no prazer.
Alexandre Montenegro convida-nos a despir não apenas a pele, mas a própria vontade, transformando o ato sexual num ofício religioso.
Aqui, o tempo — Cronos — é sacrificado no altar do 'l e n t o', onde o prazer não é um destino, mas um continuum hedónico de febre e presença.
Um momento em pano de fundo
Este texto surge como um eco de uma madrugada solitária, onde a figura de Lucille se materializa entre o pó das estantes e o brilho de uma secretária secular. É um convite ao despojamento do quotidiano medíocre para habitar um mundo de "aconchego acetinado" e "liturgias esquecidas". Deixa que a música das palavras te guie por este palácio de marfim.
Perversa Pureza
Há uma linha ténue entre o altar e o abismo. Em Perversa Pureza, essa linha é apagada pela 'besta-homem'. Este não é um poema sobre amor cortês; é sobre a 'amarração celestial' que prende a vontade ao desejo. Aqui, o ato de 'soletra[r]... versículos' transforma-se num ritual físico, onde a 'doce palavra' sufoca e inunda. Prepare-se para uma confissão onde a 'salvação' é apenas um eufemismo para o clímax.
Compulsão
Existem desejos que não se pedem; tomam-se. Este poema não fala do amor que constrói, mas daquele que consome, que arrasta para o fundo como uma pedra preciosa atada ao tornozelo. É a voz da substância, da carne e da vontade oprimida que, finalmente, encontra a sua liberdade na total submissão. Quando a agulha do êxtase toca a pele, o tempo colapsa no 'nulo segundo'. Respire fundo. O que se segue é uma confissão de fome
Bulb
Há momentos em que o desejo deixa de ser um mero capricho biológico para se tornar um ritual de aniquilação. Neste poema, descemos tateando pelas paredes húmidas de um castelo interior, onde o medo e o prazer — o tremor e o rubor — são indissociáveis. Aqui, o ato de amar é um ato de canibalismo sagrado: consumimos para não sermos consumidos, ou talvez, para nos rendermos finalmente à chama que nos devora. Preparem-se para tocar no proibido.