Entasis

black and white sweaty young woman feeliong the climax

O que em nós existe…fecha-me, por elipse, o verbo.

 

Impera a necessidade de silêncio…

não te quero falar, 

apenas fluir-me em ti…


Imerso na vibração da nossa outra dimensão…

em pele nua, frente a frente, sentados em lotus…

Estou ébrio pelo desejo latente do teu corpo, que consumo em fantasia…

do teu cheiro que me animalesca a vontade…


Humedecemo-nos em…prólogo.



Urgência fatal, por pertença…

em dominação…

em submissão…


Equalização impronunciável de vontades…

essência despida por aceitação.


Fina gota de suor que te excita, no deslizar por entre teu peito quente…


sal que se lambe em pele-desejo, prelúdio de mamilo beijado em ponta de língua…


Evadimo-nos ao mundo quando…

nos esfregamos, em flor de pele…descompassados na sofreguidão de consumo mútuo…


…no beijo que desliza, contigo aninhada em mim… enquanto te tocas, tensionada pelos nossos corpos…




Desejos canibais…

…nas línguas entrelaçadas em mão a humedecer…

em prólogo masturbatorio de escrita dedilhante no teu ventre



Consumo-te…

no inspirar feromonal, que me lateja o ventre e me faz linguar delicado mons pubis…

declaração de intenções perversas!



Submisso-te…

…no arquear de anca intocada…

em possessão somente pelo corpo…pois a tua voz já só sabe gemer…


Eletrizo-te a vulva…

ao trancar-me no teu olhar…enquanto desço em ti, 

e lá, leio-te palavras de outros mundos, lampejando-te o paraíso com o calor de cada sílaba, em declamações que sussurro sem toque…ritmando-A em contrações,

doces manifestações para mim.


Existência em delícia…

no sublime esbater da individualização…ao receberes-me, fraco-forte, em ti…

onde, em latência torporifica, nos exultamos ao ignorar o frenesim da procura pelo vulgar prazer imediato…



Ausência de…

medo…

sabotagem de plano…

tabu…

convenção…

apenas mar, onde somos vela de caravela e vento que a insufla a destinos febris em exotismo e ritual.




O quarto escurece, chegada a noite. 


Deito-te, peito e ventre no colchão, de costas suadas por me teres sobre ti, por te inquietares na suspeita de estímulos vários


Encosta-a, húmida e quente, à minha mão onde guardo bilhete para outra dimensão. Exerço-me dentro de ti, milimétrico no meu balancear, ritmado com o meu dedilhar…que te pulsa


l e n t o, 


em curtos espasmos…intercalados por longos espaços…


o teu clitóris.


Lento entrar…moroso sair…devoro, constante, o teu interior…onde se faz, pronunciado, o teu outro prazer.


Cronos escapa-se da percepção, diluído por ventre-sonho… a cada bater do teu coração.


Minutos negligenciam-se horas, compassadas por segundos.


Infindável…marejar de ondas de prazer…em indistinguível latejar…neste continuum hedônico.



Todas as dimensões da vida, minimizadas, marginalizadas por avanço de febre em corpos famintos…


Contrais a dormência que te domina as coxas…bombeando-Lhe Impossível consumo, dando-lhe usura ao Seu propósito


A boca seca-te, aberta em fútil perseguição de conclusão orgásmica que…


oh d E U S…


n u n c a   v i r á…e no entanto…iminente a cada penetração, a cada dedilhar, que te corta suspiro na inquietação de o sentires chegar…não…


O clímax foge-te.


Forças-te contra mim, em obscena fricção…louco ritmo que te paro no momento do primeiro pulsar, prelúdio de delicioso fim…


Sussurro-te o que te faço, como te consumo, como…te…


Gritas, imploras no meu nome o termo obsceno do teu sofrimento, ordenas-me que te orgasme. 


Os mares secarão os oceanos, as estrelas no céu apagar-se-ão… antes de eu, a pequena morte, te dar.


A loucura transporta-te à seda por entre as tuas coxas…onde me sentes vibrar…onde o meu pulsar…estimula o teu. 


Cruzas as pernas, prendendo-me no teu orgasmo sem sim, que te arqueja sobre mim, que me liberta em ti, por onde me venho ante impossível calor, que me estimula a cada expulsão de um pouco mais de mim, que espremes para ti… 


Exaustos…imóveis. 


Ainda dentro de ti…aceite, ainda dilatado…dormente pelo latejar, teu e meu…neste…sonho…sem…fim.


Beija-mo-nos em linguados arrastados…em deleite de sabor…na regressão da febre, por demónios exorcizados…onde nos tornamos novamente em corpos destinados à possessão.



Sexo é amor que sabe o porquê de tão forte bater de coração.


Next
Next

Um momento em pano de fundo